Esposa Perfeita - Karin Slaughter | RESENHA

FICHA TÉCNICA:

TÍTULO: Esposa Perfeita (Will Trent Vol. 8)
AUTORA: Karin Slaughter
ANO: 2017 / PÁGINAS: 464
EDITORA: HarperCollins Brasil
ADICIONE NO: Skoob
CLASSIFICAÇÃO: ★★★★★

Como a grande maioria dos livros policiais, temos o caso de uma série onde os livros podem ser lidos de forma aleatória, já que cada história se fecha nela mesma, mas os livros são de um mesmo detetive e/ou equipe policial.

Um ex-policial foi encontrado morto na boate pertencente à um famoso jogador de basquete que já havia sido acusado de estupro, e quem trabalhava no caso era o detetive Will Trent, o qual foi chamado para assumir a investigação do assassinato.
O grande mistério de tudo começa quando a arma da esposa do detetive, Angie, foi encontrada no local e seu sangue está por todo lado.

Para mim, a premissa do livro era bem chamativa, e quando decidi começar esse livro, me vi em um romance policial repleto de conflitos. Tudo parece sempre voltar ao jogador acusado de estupro, e com o passar da história vamos encontrando cada vez mais pessoas que podem estar envolvidos com a morte do ex-policial, e temos o mistério de onde foi parar Angie e se ela realmente está morta.

Procuramos conforto nas mesmas pessoas que nos machucam.

Em minha opinião, Karin Slaughter fugiu dos padrões de romance policial, revelando ao leitor o que aconteceu muito antes do livro acabar (e antes mesmo dos policiais descobrirem) e revelando pequenos detalhes faltantes depois, conforme a investigação avançando.
A escrita da autora faz com que sentíssemos como se estivéssemos assistindo a um filme, ao invés de estar lendo. Mergulhamos na história e as palavras fluem, fazendo com que o leitor consiga imaginar tudo com muita clareza, mas com mais detalhes do que um filme.

Karin finaliza seus capítulos com uma frase, geralmente simples, mas é uma finalização com "chave de ouro", como se aquelas simples palavras resumissem todo o resto. Alguns capítulos acabam no clímax, fazendo com que você vá para o próximo capitulo sedento de respostas, não conseguindo largar o livro e se vendo preso ao "universo" da história, tentando desvendar os mistérios.
A autora tem um grande conhecimento de medicina e demonstra isso nos livros, colocando detalhes de como funciona uma investigação, deixando a leitura mais interessante. Eu "aprendi" varias curiosidades do gênero e adorei! Consigo imaginar o quanto a Karin pesquisa sobre o assuntos antes de escrever seus livros.
Um dos aspectos que mais gostei do livro foi a grande ironia contida no titulo já que Angie pode ser qualquer coisa, menos perfeita. Ela é aquele tipo de personagem que tem de tudo para me irritar e fazer com que eu a odeie, mas isso não aconteceu, o que é ótimo, porque geralmente se personagens me irritam o livro não vai para frente. Angie é desprezível, mas meu sentimento por ela é neutro já que não a amo também (e para mim isso é um ponto positivo).

Eu o amava. Ele era minha vida. Era o centro do meu universo. Quando ele morreu, foi o fim. Não havia mais nada para mim.

Como eu já disse no começo da resenha, esse livro pertence a série Will Trent e é o volume 8, mas não há a necessidade de ler em ordem já que cada volume contém um caso que começa e termina no mesmo livro. Apesar disso, em Esposa Perfeita temos alguns assuntos de plano de fundo que não se finalizam, como o relacionamento de Will e Sara, e da mesma com Angie, mas não achei isso um problema já que fazem parte da vida pessoal do detetive, e não são importantes para o caso/morte encontrado no livro. Mesmo assim, gostei de todos os aspectos do livro, incluindo esses assuntos de plano de fundo e pretendo dar continuidade a série, não necessariamente na ordem, já que esse foi meu primeiro contato com a série e com qualquer coisa escrita pela autora.

Não posso deixar de comentar aqui que minhas expectativas para esse livro estavam lá em cima, e Karin Slaughter superou todas, conseguindo me surpreender. Eu já gostava do livro e da autora antes mesmo de ler porque falam tão bem dela, e agora me sinto feliz de saber que ela realmente escreve bem, e muito. Sua obra é de muita qualidade e pretendo ler outras, além da série do Will Trent. Temos aqui uma autora que tem grandes chances de virar uma das minha favoritas.



Sonata em Punk Rock - Babi Dewet | RESENHA

FICHA TÉCNICA:

TÍTULO: Sonata em Punk Rock
AUTORA: Babi Dewet
ANO: 2016 / PÁGINAS: 300
EDITORA: Gutenberg
ADICIONE NO: Skoob
CLASSIFICAÇÃO: ★★★


Valentina é uma menina apaixonada pelo punk rock, mas principalmente por música, e seu sonho é estudar isso na faculdade.
Ela é uma garota com estilo próprio, sempre de maquiagem preta e roupas que revelam seu gosto musical. Tem uma única amiga, virtual, chamada Erica com quem sempre troca mensagem e mora com sua mãe, já que seu pai abandou-as quando a mãe de Valentina ainda estava gravida dela.
Começamos o livro sabendo que Valentina passou para a maior faculdade de música do Brasil, a Academia Margareth Vilela, mas há um grande problema, a falta de dinheiro para pagar os estudos e realizar seus sonhos. 
É aí que Alexander Gontcharov, um grande violinista e pai de Valentina, ressurge na sua vida. Ele propõe pagar a faculdade da filha, e ela, mesmo relutante, aceita.

Um novo mundo começa. Valentina tem dificuldade em fazer amigos, tem problemas com o grande Pianista da escola e filho da diretora, Kim
Ela escolhe piano como seu instrumento clássico (o que era obrigatório, ela não esperava), e se vê desesperada porque a sua professora esperava que todos soubessem pelo menos o básico, e nossa protagonista nunca havia nem visto o instrumento na vida. E agora?


Mas pensou que se pudesse aguentar o próximo minuto, conseguiria sobreviver pelo dia inteiro. E isso bastava.

O livro é super leve e divertido e nos entretemos muito com os problemas de Valentina nesse novo lugar, onde todo mundo é diferente dela.
Gostei muito de acompanhar a Tim (como ela gosta de ser chamada) a fazer novos amigos, a ver a evolução dela no piano e principalmente seu "relacionamento"com o frio Kim.
Temos uma personagem determinada, que controla a si mesmo, se importa com os outros, é dedica e faz de tudo para alcançar seus sonhos, e o melhor de tudo, nunca da o braço a torcer.

Cada inicio de capitulo traz uma música, sendo rock ou clássica, coisa que gostei muito. A playlist do livro é adorável.
Kim é um menino que teria tudo para me irritar, mas incrivelmente acabei gostando muito dele, muito mesmo, e é um dos meus personagens favoritos.
Sarah, uma amiga de Valentina na faculdade, é muito divertida e não posso deixar de falar sobre a lição que ela nos dá sobre o racismo no Brasil e no mundo, já que a mesma é negra e rica, o que fez ela crescer entre brancos e ser discriminada porque as pessoas que ela conheceu, viam negros como empregados e nunca como patrão (o que é ridículo, porque cor de pele não representa classe social nem caráter, somos todos iguais).
Pude sentir a tristeza dela quando falou sobre seu passado, mesmo que tenha sido brevemente e gostei muito do ponto que foi colocado aqui. 
Esse livro ensina a não julgar as pessoas pela aparência, e não só pela Sarah, mas vemos isso em Kim e Valentina.


A vida é como uma orquestra; são necessários muitos instrumentos em harmonia para que a música toda faça sentido. Mas, na maioria das vezes, você nem sabe tocar esses instrumentos.

O livro é bem fofo, água com açúcar. A narrativa da autora é bem fácil e natural, e faz com que torçamos pelos personagens do começo ao fim.
Toda a história é muito boa e o passar dos capítulos é bem rápido. Fiquei com aquele gosto de quero mais e um brilho nos olhos também! Ah, que livro lindo. A única coisa que tenho a dizer de negativo é que, mesmo com a escrita da autora sendo fluída, demorei bastante para ler (uma semana), mas isso não se deve ao livro e sim ao fato que estava viajando e não tinha muita vontade de pegar um livro.
Então fica aqui minha indicação. Babi Dewet me conquistou com o enredo, com seus personagens cativantes, e claro, com seu jeito de contar a história!


A Maldição do Vencedor - Marie Rutkoski | RESENHA

FICHA TÉCNICA:

TÍTULO: A Maldição do Vencedor (Trilogia do Vencedor Vol.1)
AUTORA: Marie Rutkoski
ANO: 2016 / PÁGINAS: 328
EDITORA: Plataforma 21
ADICIONE NO: Skoob
CLASSIFICAÇÃO: ★★★★

A verdade é que eu não sabia o que esperar desse livro. Algumas resenhas diziam ser de fantasia, outras um romance, algumas pessoas me falaram que era apenas ficção. Eu estava animada para a leitura (animada, não com expectativas) e a única coisa que eu esperava do livro era que me tirasse da ressaca, e isso ele fez.

Temos dois povos, os Valorianos e os Herranis. Há muito tempo houve uma guerra, onde os Valorianos venceram e começaram a escravizar os Herranis, tomando suas casas e bens.
Keltrel é uma valoriana, filha do general de Valória, que precisava decidir entre se casar ou se alistar ao exercito — já que apenas mulheres que iriam para o exercito poderiam andar sem acompanhantes — mas ela não queria nenhum dos dois.
Em uma tarde, acompanhada de sua amiga Jess, Kestrel compra um escravo em um leilão, chamado Arin. Depois de um tempo, eles começam a sentir uma atração inevitável. 

- Não é isso que as histórias fazem? Transformam coisas reais em falsas e coisas falsas em reais?

Eu queria dizer que a trama não é apenas isso. Uma revolta dos Herranis se aproxima, eles querem tudo que foi tomado deles, e boa parte das coisas é apenas manipulação e jogo para conseguirem o que querem. Então eu deixo a pergunta aqui: Esse sentimento seria verdadeiro ou apenas uma forma de chegar mais fácil a sua vingança? HAHA
Gostei bastante da trama e da história que a autora criou. Há alguns elementos de fantasia, como o próprio universo, mas não chega a ser uma. Também não é um simples romance.
Acontece cenas românticas? Sim, mas não o tempo todo, e nada muito forçado, nem meloso. É um romance bem sutil, que você encontra aqui e ali durante a história. Um beijo, uma troca de palavras bonitas, então eu acho que o livro não é todo romance, tem muitas coisas além disso acontecendo.
A Kestrel parece uma menina bobinha, é verdade, mas conseguimos ver como ela consegue ser forte e guerreira quando quer. Arin me irritou muito, mas mais para o final do livro isso foi passando. Não levem o fato de ele ter sido irritante como algo ruim, isso deixou o livro mais emocionante. Se ele não tivesse a personalidade que tem, o livro seria um água com açúcar bem chatinho.

— Os herranis foram escravizados porque eram muito ruins em matar e muito covardes para morrer. Eu falei que não queria matar, não que jamais mataria. E nunca disse que tinha medo da morte.

Eu estava esperando aquele amor desesperado, entre duas pessoas que não podem ficar juntas. Aquela brigaria toda, aquela luta pra deixar a sociedade de lado e todo o "bla bla bla" que vemos em livros de amor proibido. Não foi o que eu encontrei. É um sentimento que cresce devagar e não fica enjoativo.

O romance foi pouco (pelo menos ao que eu estava esperando), mas foi na medida certa. A autora soube trabalhar bem a quantidade de luta, amor, rancor, e tudo que apareceu nesse livro.
A única coisa ruim que preciso citar aqui é a narrativa. Não, ela não é ruim, mas é muito vaga. Não há muita descrição de ambiente e muitas cenas ela não descrevia, apenas contava. Um capitulo acabava e no outro "tal coisa" já havia acontecido. Não senti falta do que ela "deixou para trás", porque ela deixava claro o que acontecia, apenas não descrevia aquilo, e isso ajudou ao livro não ficar pesado ou cansativo.
Só deixando claro que não foi 100% assim, o que era relevante a autora descreveu, sim. O que eu falei foi ,por exemplo, um jogo ou coisas do tipo.


- Minha alma é sua. - ele disse. - Você sabe.

Foi um leitura bem gostosa, que passou super rápido e me ajudou a sair da ressaca. Então, se você procura um livro leve, para passar o tempo, mas que seja bom, esse livro é uma escolha ideal. 


MELHORES DO MÊS | Janeiro 2018

Olá pessoal, tudo bom? Hoje trago um novo post aqui para o blog, o Melhores do mês. Lembrando que é melhores já que nem todos foram favoritados, mas são muito bons. Quero tentar fazer esse post mensalmente, então haverá meses curtos e longos. Janeiro foi um mês excelente, e a lista está gigante.

LIVROS:



Um ano Inesquecível 

Esse livro, apesar de não ter sido favoritado (uma pena, porque eu esperava fazer isso), ele me marcou. Eu gostei muito dos três primeiros contos e vão ficar guardados no meu coração. Tive o prazer de conhecer a narrativa da Bruna Vieira e da Babi Dewet que eu morria de curiosidade, e posso dizer que AMEI, e da Bruna me surpreendeu demais.
São quatro contos de romance (na verdade, são novelas, porque é de 90/100 páginas cada). Cada um é escrito por uma autora em cada estação do ano: Paula Pimenta, Babi Dewet, Bruna Vieira e Thalita 
Rebouças. 

Por que eu não favoritei? Porque odiei o conto da Thalita, de verdade. Quando eu soltar a resenha vocês poderão saber um pouco mais dos meus motivos.



Suicidas - Raphael Montes

9 jovens decidem se suicidar através de um jogo de roleta-russa, mas ao invés de ser apenas suicídio, acaba acontecendo tortura, assassinado, necrofilia e mais. Podemos acompanhar a história através do livro de um dos suicidas, de um diário encontrado na casa do mesmo, e um áudio com uma reunião entre a delegada e as mães dos jovens suicidas.
Primeiro livro do autor e meu primeiro contato com ele. Não poderia ter começado de forma melhor.
Nenhum livro me prendeu como esse, e me enganou direitinho. Quero muito ler outras obras do autor e há grandes chances de ele virar um de meus autores favoritos.



FILMES E SÉRIES




Slacher: Os Culpados (segunda temporada)


    No finalzinho do ano passado assisti a primeira temporada dessa série e entrou para a lista das favoritas. Eu queria muito começar a segunda temporada, mas é a última disponível e eu não queria que acabasse tão rápido, já que devoro os 8 episódios de uma vez.
    Para quem não sabe, cada temporada é uma história diferente, mas seguindo sempre a mesma base. Um assassino que vai fazer você pegar pelos seus erros da forma mais cruel. E quem é esse assassino?
    Precisa ter estomago, mas é maravilhosa.
    Eu não entendi o último episódio, que seria a explicação para a segunda temporada, e precisei assistir novamente algumas partes para compreender melhor. Fiquei com um buraco no peito, o que se deve ao fato de, na primeira vez, ter ficado completamente confusa e não ter entendido nada e, mesmo depois de rever algumas coisas, ainda me restar um pequeno "bug" sobre algo que não é tão relevante assim. Por isso, venho dizer que estou levemente decepcionada com esse final, mas por motivos pessoais de incompreensão, já que consigo perceber que o desfecho é bom sim.
    Então, não se prenda a isso, porque todas as criticas que assisti, as pessoas entenderam bem. Não sei o que houve comigo, mas a série é de excelente qualidade e ela continua aqui, nessa lista, porque não foi uma confusão em minha mente que fez com que a série saísse do meu coração. Se lançarem uma terceira temporada irei correndo assistir.





    Nerve


    O curioso caso em que o filme é melhor que o livro. E isso não são palavras minhas.
    Todas as pessoas que leram o livro e assistiram o filme, preferem o filme. Eu ainda não li o livro e não sei se pretendo, mas deixo aqui minha indicação do filme e QUE FILME. Entrou para os favoritos da vida, eu só conseguia pensar nele, e indicar ele pra todo mundo. POR FAVOR, assistam. Você fica preso a tv, torce pelos personagens, se arrepia, fica apreensivo e até meio perturbado. Vale cada minuto desse filme, e ele é super curtinho.
    Nesse filme/livro temos um jogo virtual chamado Nerve, onde você deve fazer desafios na vida real e conforme vai cumprindo, dinheiro vai caindo na sua conta. Parece ótimo, né? Mas não é, porque os desafios vão aumentando a "dificuldade" e você chega ao ponto de arriscar a própria vida.


    MÚSICAS E ALBÚNS



    Melodrama - Lorde

    Esse ano estou me dedicando a ouvir álbuns lançados no ano passado e que eu ainda não havia conferido e nossa, esse álbum ganha de longe. Foi até difícil escolher uma música favorita. Eu estou apaixonada. 



    Suicidas - Raphael Montes | RESENHA

    FICHA TÉCNICA:

    TÍTULO: Suicidas 
    AUTOR: Raphael Montes
    ANO: 2017 (Nova edição) / PÁGINAS: 432
    EDITORA: Companhia das Letras
    ADICIONE NO: Skoob
    CLASSIFICAÇÃO: ★★★★ + ♥


    Essa resenha demorou pra sair, foi difícil pra mim. Sentar na frente de um computador e falar sobre um livro e a experiencia da leitura é uma das coisas mais maravilhosas, mas é tão complicado quando você só tem vontade de sair aplaudindo o livro, enaltecendo, porém as palavras não veem, só ficam girando na sua mente.


    Nove jovens decidem se suicidar em uma roleta-russa. Não jovens depressivos ou com uma vida ruim, mas jovens que, na visão das pessoas, tinham uma vida boa. Não perfeita, porque muitos tinham seus problemas, mas nenhum era "motivo" para um suicídio.
    Roleta-russa é um jogo onde coloca-se apenas uma bala no tambor do revolver, gira-se o mesmo e fecha. Cada pessoa coloca a arma na cabeça e atira. Enquanto a bala não sai, a arma vai passando adiante até alguém morrer. Nesse caso, quando alguém era baleado, colocava-se outra bala na arma e refaziam o processo. O último poderia escolher viver ou morrer, mas caso escolhesse viver, teria graves problemas com a policia.

    Acompanhamos esse suicídio coletivo de três "pontos de vista". Através de anotações do Alexandre, um dos suicidas, encontrado no quarto do mesmo, sobre coisas que aconteceram antes do jogo e assim conseguimos entender alguns dos motivos que levaram os jovens a desejar a morte.
    Temos também uma reunião informal, registrada através de uma gravação de áudio, da delegada e das mães do jovens mortos, que acontece um ano depois do suicídio coletivo, para tentar compreender o que aconteceu durante a roleta-russa e o porque aconteceu. Nessa reunião, a delegada lê um livro escrito pelo Alexandre durante a roleta-russa.
    E claro, podemos conhecer bem os acontecimentos do jogo através do livro escrito no momento em que o suicídio coletivo estava ocorrendo. 

    A premissa é bem chamativa, mas a história vai além disso. A roleta-russa não é simplesmente um jogo ou um suicídio coletivo porque durante ele podemos acompanhar não apenas jovens se suicidando (o que é obvio), mas também muita manipulação, intrigas, brigas, necrofilia, tortura, homofobia, gordofobia e assassinato.
    É aí que entra um ponto importante para mim, que eu não poderia deixar de comentar: todo o preconceito que há nesse livro.

    Pelo fato de termos os relatos do Alexandre e o livro ser escrito pelo mesmo, o pensamento dele é o que mais se destaca e aqui conseguimos enxergar o quanto esse cara tem um sério problema com gordos e gays. Um problema chamado preconceito.
    Esse tipo de coisa é comum em livros? Sim, principalmente em livros do gênero, já que encontramos muito disso em livros do King, por exemplo.
    É um problema? Para mim, não tanto. Sempre abominei qualquer tipo de preconceito vindo das pessoas, mas tenho que admitir que na literatura isso ocorre sim, e não é porque tem gente que se sente desconfortável que os escritores vão deixar de colocar personagens com essas personalidades.
    Eu compreendo que muitas vezes não é a opinião pessoal do autor, ele apenas colocou em sua obra para chocar, ou algum motivo desconhecido. (Eu realmente espero que o Raphael Montes não pense como o Alexandre).
    Esse tipo de coisa não é totalmente necessário em um livro, mas não posso negar que isso esta presente na nossa sociedade (infelizmente), e colocar essa triste realidade em que vivemos na história, deixa ela mais realista.
    Não, não. Não estou apoiando esse tipo de atitude, mas autores colocam nas histórias e eu entendo o motivo. É claro que me incomoda, sim. Mas não acho que isso estrague o livro. Se a história for boa, não é por isso que vai fazer ser ruim.

    Voltando a resenha, não irei falar dos participantes da roleta-russa, além do Alexandre e do Zak, melhores amigos e criadores dessa "ideia". Os personagens vão sendo colocados aos poucos na história, e aos poucos descobrimos quem são os participantes e como Zak e Alexandre conhecem os mesmo.
    Foi bom para mim ir descobrindo aos poucos quem eram os suicidas e seus motivos, e não quero estragar a experiencia de ninguém, e sim que vocês tenham a mesma curiosidade que eu.
    Por essa maneira dos personagens serem apresentados, e pelos vários tipos de relatamento dos fatos, faz com que conhecemos melhor cada personagem, seus pensamentos, seus motivos. A construção de cada um é feita aos poucos, você nem percebe, e quando se da conta conhece cada um dos participantes da roleta-russa (eles são o foco principal da história). 
    Gostei muito da maneira que o autor usou para apresentar e criar os jovens suicidas, com certeza Raphael Montes sabe como fazer um personagem bem construído. 

    O livro é genial. Cada parte dele. O jeito que o autor escolheu para contar a história, o livro do Alexandre, os motivos de cada um, os acontecimentos anteriores ao suicídio coletivo, a gravação da reunião das mães com a delegada.
    Temos o final do livro do Alexandre que nos leva a pensar que a roleta-russa terminou de uma maneira, e no final do livro Raphael Montes nos mostra uma manipulação total. Os acontecimentos finais da reunião das mães também foi muito bem pensado, eu nunca imaginaria que o que aconteceu poderia acontecer. Poderia ter criado tantos finais e jamais ter pensado no final que ele deu para aquela discussão.
    A roleta-russa foi o que eu mais gostei, principalmente de como ela ocorreu, porque saiu daquela coisa monótona de cada um dando um tiro na própria cabeça. O final do jogo também, que como comentei, as coisas não ocorrem do jeito que pensamos. 
    Aí você me pergunta: então o livro do Alexandre é falso? Não, de forma alguma. O que está escrito lá realmente aconteceu, se não eu teria me sentido enganada e não surpreendida. Para entender o que é a tal manipulação do autor (e de alguns personagens) vai ser necessário ler o livro.

    Não consigo decidir se gostei mais do desenvolvimento ou do final. O livro me prendeu como nenhum outro prendeu antes, e não há exageros aqui. Eu não costumo ler nos sábados, sempre acabo me distraindo com alguma coisa e não tendo vontade de ler, mas com essa história foi diferente. Eu fiquei tão imersa nela, que as pessoas chagavam perto de mim e eu me assustava por não conseguir prestar atenção em nada que havia ao meu redor, e olha que costumo me distrair até com uma mosca!

    A última frase do livro é de uma extrema criatividade, que nunca vi algo tão criativo em um livro antes. Sim, uma frase, e ela nem é longa.
    Sabe aquele livro que faz você sair com vontade de contar a história para as pessoas? Mas contar cada detalhe, que seu ouvinte vai ficar como se tivesse lido o livro ele mesmo? Essa história é assim, e eu não dei nenhum spoilers a vocês (o que foi uma tarefa difícil), porque eu quero que vocês leiam esse livro e sintam tudo que eu senti.
    Quando tiver oportunidade de ler outros livros do autor não vou pensar duas vezes, porque se essa foi a primeira obra que ele escreveu, aos 19 anos, imagina como ele está hoje em dia.
    Só não o considero meu autor favorito porque li apenas uma obra, mas o livro com certeza é um favoritado, o que parece tão pouco perto do que essa obra é e o que ela fez comigo.

    Queria poder falar muito mais desse livro por aqui, porque sinto que foi tão pouco. Não sei se consegui passar o quanto essa história é boa, mas se eu escrever aqui mil vezes que esse livro é extraordinário, fabuloso, ou qualquer outro elogio que define o quanto algo é bom vocês acreditam em mim?

    E só mais uma coisinha: Não é fã do gênero? Esse livro vai fazer você virar! Há  algumas coisas UM POUCO pesadas, mas dá pra aguentar bem tranquilamente.
    Suspense, thriller, policial já são meus gêneros favoritos, mas garanto que até para quem não curte muito, vira fã depois dessa história. 




    Por Um Toque de Ouro - Carolina Munhóz | RESENHA

    FICHA TÉCNICA:

    TÍTULO: Por Um Toque de Ouro (Trindade Leprechaun Vol.1)
    AUTORA: Carolina Munhóz
    ANO: 2015 / PÁGINAS: 272
    EDITORA: Rocco
    ADICIONE NO: Skoob
    CLASSIFICAÇÃO: ★★★★


    Emily é filha de donos de uma grande marca de bolsas e sapatos. Uma menina rica, linda, e muito sortuda que desperta inveja em muitas pessoas.
    O livro se passa em Dublin, na Irlanda, e nossa protagonista adora festas e curtição da alta sociedade. Sem contar que nunca perde uma partida de poker e se livra de situações que parecem impossíveis. 
    Após conseguir escapar "magicamente" de um tentativa de estupro e conhecer Aaron, Emily começa se questionar se sua sorte é pura coincidência ou poderia haver algo por trás de tudo isso. Não foi fácil para ela descobrir e acreditar que Leprechaun não são apenas anões de roupas verdes e chapéis pontudos, e que na verdade essas lendas são apenas metáforas

    O livro explora bastante a cultura Irlandesa, seus mitos e lendas que marcam o país. É citado muitos pontos turísticos de Dublin, o que me deixou com muita vontade de conhecer a cidade.
    A autora criou um mundo mágico no nosso mundo real, mas fugiu um pouco do padrão, já que o "nosso" mundo não é cheio de festas e eventos da alta sociedade, nem roupas caras e glamour. Mesmo assim, a história se passa no nosso universo.
    Gostei do fato da autora ter saído bastante do padrão e ter criado esse mundo de riqueza. 



    No começo, eu não gostava tanto da Emily e seu melhor amigo Darren. Achava eles um pouco irritante pelas expressões que eles usavam, mas com o tempo acabei me apegando a eles e gostei muito de suas personalidades.
    A ruiva Emily parecia uma menina mimada e chata, mas depois se mostrou divertida, curiosa, e que amava e respeitava demais os pais. Mais para o final percebi o quanto ela é forte, e no final de tudo, tem a personalidade de uma adolescente normal.
    Darren é o amigo que todo mundo deveria ter. Preocupado, atencioso, um irmão para Emily. Estava com ela nos melhores e piores momentos.
    Aaeron no começo era ríspido e misterioso, e depois acabou se tornando um cara carinhoso, mas simpatizei com ele desde o começo (exceto no final, mas nada de spoilers por aqui).

    A narrativa é bem leve, e rendeu muito a leitura. É um livro infanto-juvenil e a escrita da autora é perfeita para essa faixa etária.
    Alguns pontos foram um pouco previsíveis pra mim (coisa que não me incomoda em livros). Um pouco, porque eu sabia que havia coisa errada, mas não sabia exatamente o que, apesar que vi algumas resenhas e elas diziam que já imaginavam o final. Ouve uma cena que era pra ser impactante, porém não foi tanto para mim. Motivos pelo qual tirei uma estrela do livro.

    O começo não é tão contagiante, mas também não achei tão lento. Demanda de algumas páginas para pegar o ritmo da história, mas nada que atrapalhe. Quando os mistérios começam a ser revelados, fiquei bem curiosa e empolgada com o livro e é nesse ponto que a leitura começa fluir melhor. 
    Os últimos capítulos foram sensacionais, e estou muito curiosa para saber as aventuras da Emily na continuação dessa obra.

    Não podia deixa de dizer que esse edição é maravilhosa. A capa está linda, e depois de ler o livro você percebe como ela transmite magia/poder. O título é em relevo, a minha edição tem as letras douradas e parecem ouro mesmo. A capa de trás é linda, com imagens de cidade. Gosto muito dos tons usado em toda a trilogia. Sou apaixonada mesmo!


    Fiquei bem indecisa entre dar 4 ou 5 estrelas. Os pontos negativos que encontrei e já contei a vocês foram mínimos na história e não prejudicam a magia que o livro tem. Apesar de não atrapalharem o a história como um todo, eles existem, e por isso optei pelas 4 estrelas.
    Lembrando que é uma obra de  literatura brasileira, e nosso país possui livros de qualidade (não apenas os clássicos). Sou uma defensora com orgulho da literatura brasileira contemporânea, principalmente de livros infanto-juvenil, já que minha autora favorita (Paula Pimenta) é brasileira e escreve para essa faixa etária.
    Para quem gosta de livros nessa classificação, é uma ótima escolha, e o próximo volume parece ser melhor ainda.



    Livros Únicos X Séries Literárias | DISCUSSÃO

    Olá pessoal, tudo bom? Não é de hoje que existem pessoas que preferem livros únicos e outros preferem séries, então eu trouxe esse assunto em pauta para a primeira "discussão" aqui do blog.
    Vou apresentar Vantagens e desvantagens de cada um. Vamos lá?

    Foto: Tumblr


    Vantagens

    Livro Único:

    • A história começa e termina no mesmo livro, não precisando ter a obrigação de ler (e comprar) outros livros para saber o final da história;
    • É mais barato comprar um livro único do que uma série toda;
    • Há livros grandes e bem trabalhados, tendo um aprofundamento da história e personagens;
    • Ler livros únicos te garante mais histórias do que ler séries.

    Série Literária:

    • Um conhecimento e apego maior aos personagens;
    • Histórias mais longas, muitas vezes mais trabalhadas;
    • Aquela sensação de acabar o livro e ficar desesperado pela continuação (Ah, é uma sensação boa, vai? Aquela euforia, empolgação);
    • Já pegando a vibe da vantagem anterior. Se você se apaga aos personagens nos primeiros livros, fica feliz porque vai poder continuar os acompanhando.


    Desvantagens

    Livro único:

    • Se você se apegar aos personagens, não vai haver uma continuação;
    • Aquele gostinho de quero mais, e não ter mais;
    • Vamos combinar que alguns são tão grandes que podiam ser divididos em vários;
    • Alguns livros são mais caros que comprar uma série toda.

    Série Literária:

    • Algumas também são bem grandes, hein?
    • Quando acaba, fica aquele vazio no peito por estar tão apegado aos personagens;
    • Sai caro comprar tantos livros, vamos combinar;
    • Você pode enjoar da história ou perder o insteresse.


    Acho que é tudo bem parecido, né? Eu sou nula nesse caso, porque gosto dos dois. E vocês, o que acham das vantagens e desvantagens? Tem algo a acrescentar? Qual prefere? 
    Gostam desse tipo de postagem?
    Deixa seu comentário que será bem vindo. ♥





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